O caso da Ensitel contra a Jonasnuts

Normalmente estas coisas acontecem lá fora porque aqui a malta, os tugas, não nos gostamos de chatear muito, sobretudo com os problemas dos outros.

Mas desta vez, numa surpreendente movimentação do Portugal virtual, uma simples reclamação de uma cliente sobre o serviço prestado por uma empresa, ganhou contornos deveras espectaculares.

A história tem tanto de simples como de banal, condições ideais para nunca chegar a ser notícia. A Maria João Nogueira, que a partir de agora neste texto tratarei por Jonasnuts, comprou um telemóvel numa loja Ensitel. O aparelho avariou passado uma semana e, num claro desrespeito pela Lei, a Ensitel negou-se a trocá-lo por um novo, reencaminhando a cliente para o fabricante e sugerindo que accionasse a garantia para que fosse reparado. A Jonasnuts, que tem um blog há já alguns aninhos e que recebe uns milhares de visitantes por dia, decidiu escrever sobre o que se passou e sobre o desenvolvimento do caso, acrescentando vários episódios à novela da luta titânica que está a travar com a referida empresa.

Até aqui tudo normal. Algumas centenas de comentários demonstrando o apoio à causa mas nada que nos fizesse abrir a boca de espanto. Até que, no dia 27 de Dezembro a Jonasnuts volta a carga com mais uma entrada no blog sobre a novela onde dá a conhecer ao mundo que a Ensitel a quer obrigar, por via judicial, a apagar os posts que escreveu sobre o assunto no seu blog. E aí é que foram elas. A Ensitel decidiu meter-se com a liberdade de expressão da Jonasnuts e ao fazê-lo começou a cavar um buraco bem fundo de onde lhe vai custar bastante sair.

Em poucas horas o tema invadiu o Twitter e o Facebook, alastrou-se pela blogosfera nacional e aterrou directamente nas redacções das televisões. É verdade. Por primeira vez em Portugal ocorreu uma movimentação de tal forma significativa nas redes sociais que os meios de comunicação social se viram na obrigação de a repercutir e, consequentemente, de a ampliar.

Há quem diga que má publicidade é melhor do que nenhuma publicidade, mas neste caso, os responsáveis pela Ensitel devem estar um tanto ou quanto preocupados com as consequências da sua atitude. A tentativa, deplorável, de acabar com a liberdade de expressão de uma cliente insatisfeita e uma péssima política de comunicação acabaram por manchar uma marca de prestígio.

Fica o exemplo do poder que estas coisas da Internet têm. É caso para dizer os internautas unidos jamais serão vencidos.


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