Há coisas que não entendo.

PadreFoi notícia na televisão mas na altura, confesso, não me chamou muito a atenção. Só voltei a reparar no sucesso por culpa de uma reportagem da Visão que voltou ao assunto. Falo de um homem que foi preso por se fazer passar por padre. Dito assim nem parece muito grave, mas se lhe adicionarmos o facto do senhor ter casado, enterrado, baptizado e até exorcizado algumas dezenas de fiéis por esse país fora, a coisa muda de figura.

No entanto, parece que o caso não é único e que esta usurpação de identidades é mais banal do que possamos pensar. Na tal reportagem foram-me apresentados, para além do falso padre, um falso professor de matemática, um falso médico, uma falsa juíza, um falso psiquiatra e uma falsa generala, esta última com a dupla falta de se fazer passar por militar e por homem.

Mas voltemos ao padre. O homem, que até tinha um sentido de humor apurado, na sua última paróquia apresentou-se como Domingos Santos, praticou durante vários anos todos os actos que seriam de esperar que um verdadeiro padre praticasse e a questão que se levanta aqui é a seguinte: serão legítimas, aos olhos da instituição igreja e, consequentemente, de Deus, estas acções?

Foi isto mesmo que um casal do norte do país se terá perguntado, pelo que decidiram consultar com a Diocese do Porto se o seu casamento, oficializado pelo padre falso, é válido. A dúvida, a pergunta e a quem a endereçaram faz todo o sentido, o que me deixou perplexo foi a resposta: sim senhor. O casamento é válido e V. Exas. estão mesmo casadinhos da silva.

Ora essa, então e o sagrado da coisa? E a aquela parte da formação dos senhores padres? E a vocação? E tantas outros aspectos que levam os fiéis a depositar nas mãos do seu pároco a eterna união, mesmo depois de já terem assinado os papéis do contrato na conservatória?

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